Mudanças climáticas não são causadas só pelo homem

Mudança climática

Todas as pessoas serão atingidas pelas mudanças climáticas. Essa é a principal mensagem da segunda parte do mais recente relatório divulgado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

O capítulo 18 do documento é dedicado a compreender as causas das mudanças observadas – sejam elas devidas ao aquecimento global ou a outras forças. Segundo a professora da Universidade de São Paulo (USP) Maria Assunção Silva Dias, uma das principais autoras do capítulo, entender quais são os responsáveis pelas mudanças de hoje é a melhor forma de se preparar para o futuro.

Leia, abaixo, a continuação da entrevista exclusiva que o Planeta Sustentável fez com a pesquisadora.

Quais são os maiores desafios ao detectar os impactos das mudanças climáticas?
Os grandes desafios são analisar os dados de forma a separar o que é causado pelo aquecimento global e o que tem a ver com outros fatores.

Se você analisar a temperatura de uma cidade como São Paulo, por exemplo, verá que ela aumentou bastante durante os últimos cem anos, porque a cidade cresceu. Quanto disso é devido ao aquecimento global? Apenas uma pequena parcela. Quanto é influência do crescimento da cidade?

O maior desafio é separar, é dizer qual é a parcela que cabe a cada um dos possíveis fatores.

É possível atribuir um único evento, como um surto de doença ou a extinção de uma espécie, à mudança do clima?
No caso das doenças, é difícil, porque há uma variabilidade grande e há uma grande dependência do clima. Dengue é um exemplo disso. Se você tem períodos quentes e muita chuva, aumenta a incidência de dengue. Mas isso acontece com variabilidade de um ano para outro, porque há anos mais chuvosos e outros menos. A tendência do longo prazo que é possível detectar mistura tudo isso.

Aliás, mistura também as medidas que podem ter sido tomadas para diminuir a incidência de dengue. Se todas as campanhas de conscientização da população – como as que dizem para não deixar a água parada – forem bem sucedidas, por exemplo, terão efeito na redução da incidência da doença. Ao verificar os dados e ver que a dengue diminuiu, é preciso saber se foi por causa da campanha.

Quanto à extinção de espécies, dou mais um exemplo: nas regiões costeiras há lugares em que houve emissão submarina de esgoto, o que causa um dano enorme para a população de peixes. Então, ao analisar os dados, verifica-se que a população de peixes diminuiu. Mas é porque o mar está mais quente, porque a poluição está matando os peixes ou é porque a pesca predatória está reduzindo a população?

Todos esses aspectos são levados em conta e só se chega a uma conclusão de que houve, de fato, um impacto da mudança do clima em um determinado setor quando você descarta os outros efeitos que poderiam explicá-lo.

Por que é importante avaliar todos os aspectos das alterações climáticas e não apenas impactos da mudança do clima antropogênica?
Porque boa parte da variabilidade que vemos no clima é atribuída a causas naturais. É preciso olhar para o passado da Terra – não precisa nem ir muito longe, de centenas de anos a mil anos basta – para ver que houve diferentes situações de desequilíbrios climáticos. O problema é que ficamos muito focados apenas nos últimos anos, lembrando só dos anos recentes, de quando éramos crianças.

Na verdade, é preciso olhar numa escala muito maior, porque o clima é variável, não é fixo. Nunca foi constante em lugar algum da Terra. Então, não se podem atribuir de cara à mudança climática provocada pelo homem as coisas que estamos vendo hoje.

Fontes e Direitos Autorais: , de Planeta Sustentável – 02/05/2014 11h02 – Atualizado em 02/05/2014 11h03.

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Sobre Junior Galvão - MVP

Profissional com vasta experiência na área de Tecnologia da Informação e soluções Microsoft. Graduado no Curso Superior em Gestão da Tecnologia de Sistemas de Informação. Pós-Graduado no Curso de Gestão e Engenharia de Processos para Desenvolvimento de Software com RUP na Faculdade FIAP - Faculdade de Informática e Administração Paulista de São Paulo. Pós-Graduado em Gestão da Tecnologia da Informação Faculdade - ESAMC Sorocaba. Formação MCDBA Microsoft, autor de artigos acadêmicos e profissionais postados em Revistas, Instituições de Ensino e WebSistes. Meu primeiro contato com tecnologia ocorreu em 1995 após meus pais comprarem nosso primeiro computador, ano em que as portas para este fantástico mundo se abriram. Neste mesmo ano, comecei o de Processamento de Dados, naquele momento a palavra TI não existia, na verdade a Tecnologia da Informação era conhecida como Computação ou Informática, foi assim que tudo começou e desde então não parei mais, continuando nesta longa estrada até hoje. Desde 2001 tenho atuado como Database Administrator - Administrador de Banco de Dados - SQL Server em tarefas de Administração, Gerenciamento, Migração de Servidores e Bancos de Dados, Estratégias de Backup/Restauração, Replicação, LogShipping, Implantação de ERPs que utilizam bancos SQL Server, Desenvolvimento de Funções, Stored Procedure, Triggers. Experiência na Coordenação de Projetos de Alta Disponibilidade de Dados, utilizando Database Mirroring, Replicação Transacional e Merge, Log Shipping. Atualmente trabalho como Administrador de Banco de Dados no FIT - Instituto de Tecnologia da Flextronics, como também, Consultor em Projetos de Tunnig e Performance para clientes, bem como, Professor Titular na Fatec São Roque. Desde 2008 exerço a função de Professor Universitário, para as disciplinas de Banco de Dados, Administração, Modelagem de Banco de Dados, Programação em Banco de Dados, Sistemas Operacionais, Análise e Projetos de Sistemas, entre outras. Possuo titulações e Reconhecimentos: Microsoft MVP, MCC, MSTC e MIE.
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